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LIVROS DE WANDERSON CASTILHO
Manual do Detetive Virtual (2011)
Editora Urbana
    

Quanto mais a internet se espalha, mais a privacidade das pessoas diminui. Ou seja, é mais fácil ter alguém bisbilhotando a sua vida ou os seus negócios. Ainda mais com certos recursos tecnológicos ao alcance de qualquer leigo. E tem muita gente por aí que não faz ideia dos perigos aos quais se expõe. O autor deste livro, que poderíamos chamar de "detetive virtual", mostra alguns dos casos que desvendou, e também dá dicas para você evitar problemas no mundo da internet. Motivos para insegurança é que não faltam.

Alguns casos narrados no livro estão disponíveis para leitura:

A culpa é do gerente

Rose Leonel

 

A culpa é do gerente

Alberto trabalhava havia seis anos em uma grande construtora. Com curso superior de administração e bastante conhecimento dentro da empresa, ele tinha o cargo de gerente e coordenava uma equipe de vinte pessoas, entre engenheiros civis e arquitetos. Seu setor trabalhava em projetos feitos para concorrências, enviados em sua maioria para a prefeitura. Entre os projetos, havia obras orçadas em 10 milhões de reais, 20 milhões... Às vezes passavam de 100 milhões de reais, em obras de grandes pontes e prédios.

Nesse ramo funciona assim: algumas construtoras participam de cada concorrência e o projeto mais viável e/ou mais atrativo ganha a concorrência e a empresa fecha o contrato para executar a obra.

A empresa em que Aberto trabalhava - que vou chamar aqui de empresa A - vinha em um ritmo muito bom. No ano de 2005 foi a empresa que teve o maior aproveitamento das concorrências. Nesse mesmo ano registrou um faturamento mensal de 2,3 milhões. No início do ano de 2006 a empresa teve uma queda, perdendo cinco concorrências consecutivas, fato que não representou uma queda imediata nos lucros. Afinal, algumas obras grandes estavam sendo executadas. Mas a empresa já começava a ter projeções de queda. Ok, ninguém pode ganhar sempre. Mas era preciso atenção para que a fase ruim não se estendesse.

Mas se estendeu. Nos meses seguintes o aproveitamento das concorrências continuou a cair. Alberto, o gerente, apontava o crescimento de uma grande concorrente - a empresa B - como responsável pela queda. A empresa B teria ganhado concorrências que tradicionalmente a empresa A teria vencido.

Algo suspeito
Flávio era um dos sócios, que também estava na empresa havia seis anos e, além do curso de administração, também tinha o diploma de engenharia. Ele sempre suspeitou do gerente Alberto.

Flávio viu essa queda de faturamento como uma oportunidade de enxergar mais de perto o que o gerente estava fazendo. Tentando associar as recentes perdas com o trabalho de Alberto, ele passou um final de semana analisando os projetos que não haviam triunfado nas concorrências. Ele verifico que a empresa B realmente tivera bastante destaque, ganhando a maioria das concorrências do ano. Indo mais a fundo, ele concluiu que todos os projetos vencedores da empresa B apresentavam duas características em comum:

1. Um orçamento sempre um pouco mais baixo.

2. Alguns detalhes cruciais semelhantes aos dos projetos da empresa A.

Fazendo uma análise criteriosa, Flávio concluiu que, no histórico das duas empresas, não havia registro de situação semelhante. Ele pensou em levar seu dossiê para o outro sócio diretor da empresa, mas temeu que a atitude representasse prejuízo para ele, já que o diretor e Alberto eram muito próximos. Então, Flávio preferiu buscar ajuda profissional, para embasar melhor suas suspeitas e então levar o caso à frente.

Desvendando o caso
Através de uma busca no Google, Flávio chegou a mim. Ele me relatou essa história e pediu que eu investigasse Alberto, em busca de irregularidade. A suspeita de Flávio era de que Alberto, de alguma forma, fornecia informações sigilosas à empresa B, como o valor definido para a obra e algumas soluções sugeridas no projeto.

Analisando o dossiê que Flávio havia feito do caso, vi que era um bom trabalho. Agora restava investigar se as acusações tinham fundamento.

Como Flávio era um dos sócios, ele me deu autorização para analisar o computador de Alberto dentro da empresa. A política de segurança da empresa nunca tinha sido implementada, o que permitiu que informações valiosas vazassem sem o menor controle.

Alberto trabalhava com um laptop da empresa, que ele levava para casa todos os dias. Mas isso não impediu que encontrássemos seus vestígios. Através de um e-mail que Alberto enviara com cópia para Flávio, identifiquei o IP do notebook que ele estava usando. Às vezes, a configuração de rede dentro da empresa é DHCP, ou seja, o IP das máquinas internas é dinâmico; some-se a isso, ainda, que na maioria dos casos o administrador de rede não pode saber da minha atuação, o que torna ainda mais difícil meu trabalho.

Tudo que passa por uma rede fica registrado, desde que seja configurada para isso. Então, localizamos registros do IP de Alberto. Fomos atrás desses registros, que, obviamente, eram muitos. Entre e-mails pessoais e de trabalho, encontrei conversas com Francisco Mello, da empresa B. Focamo-nos apenas nessas conversas e encontramos e-mails curtos, quase monossilábicos, o que já demonstra um cuidado excessivo das partes. As mensagens continham conversas com conteúdo vago, como estas:
"Vou te ligar mais tarde para dizer algo importante!"
"Preciso de uma informação. Pode passar na minha casa amanhã à noite?"
Quando as conversas são vagas dessa forma, já é um motivo para desconfiar de algo.
Uma mensagem de Francisco chamou minha atenção:
"Ganhamos mais uma!"

Essas conversas poderiam se referir a partidas de pôquer. Mas também a concorrências, certo?
Até então, só indícios. Mas eu ainda tinha muito trabalho pela frente. Em busca de uma informação, qualquer indício é bem-vindo. Pensando nisso, me deparei com outra mensagem:
"É hoje!"

Fui consultar o dossiê que Flávio montara e constatei que as datas das concorrências combinavam perfeitamente com as conversas. A mensagem "É hoje" fora enviada exatamente no dia 12 de maio, data do resultado de uma importante concorrência. Até aí, poderia ser só uma conversa sadia entre dois candidatos à vitória.

A mensagem "Ganhamos mais uma!" foi enviada imediatamente após a vitória da empresa B em uma outra concorência. Também poderia ser uma provocação sadia, com o significado de "Nós da empresa B ganhamos mais uma!", mas o Flávio (e agora eu também) acreditava que esse "nós" tinha o significado de "Alberto e Franscisco". Como você pode ver, esses indícios sozinhos não garantiam nada, pois geravam dupla interpretação. Eram só peças do quebra-cabeça que, depois de montado, poderia mostrar apenas dados desconexos ou a confirmação de um crime.

Algum tempo depois encontrei uma mensagem que dizia:
"Acho que a viagem será em outubro!"
Essa mensagem, apesar de parecer inofensiva, me sugeriu outra interpretação.

Com esses outros indícios, Flávio foi até o seu advogado, que entrou com uma ação contra a empresa B por concorrência desleal, e conseguimos uma autorização de busca e apreensão para periciar o computador de Franscisco Mello. E foi bem mais fácil – entre os e-mails de Franscisco, havi uma mensagem direcionada ao presidente da empresa B anunciando a contratação de um novo gerente para outubro. A mensagem foi enviada em 22 de agosto, às 10h57. O outro e-mail, falando para Alberto da tal viagem, foi enviado às 11h13. Ou seja, Franscisco confirmou a contratação de um novo gerente, que seria Alberto, e em seguida deu essa notícia a ele, por meio de um código. "Viagem" significaria "contratação", em um código provavelmente combinado pessoalmente entre os dois. No e-mail de confirmação da contratação, constava um salário de R$ 9.700,00. Alberto ganhava R$ 7.200,00. Um aumento e tanto!

Ainda não satisfeito, encontrei e-mails de Franscisco para o RH da empresa B, pedindo transferências bancárias para a conta de Alberto, cujo número me foi passado por Flávio. Esses e-mails também combinavam perfeitamente com o dia do fechamento dos contratos, e as quantias correspondiam a 0,1% dos valores estipulados para as obras. Agora o cerco havia se fechado. Além de fornecer informações sigilosas e combinar a sua transferência para a empresa concorrente, Alberto recebia comissão por cada concorrência ganha.

Flávio havia iniciado um dossiê contra Alberto. Com meu trabalho, deu origem à ação criminal. Flávio informou seu sócio apenas no dia da busca e apreensão. Alberto foi demitido por justa causa e impedido judicialmente de trabalhar na empresa B. Alberto e a empresa B estão respondendo judicialmente pelo caso.

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