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LIVROS DE WANDERSON CASTILHO
Editora Matrix
Manual do Detetive Virtual
  

Quanto mais a internet se espalha, mais a privacidade das pessoas diminui. Ou seja, é mais fácil ter alguém bisbilhotando a sua vida ou os seus negócios. Ainda mais com certos recursos tecnológicos ao alcance de qualquer leigo. E tem muita gente por aí que não faz ideia dos perigos aos quais se expõe. O autor deste livro, que poderíamos chamar de "detetive virtual", mostra alguns dos casos que desvendou, e também dá dicas para você evitar problemas no mundo da internet. Motivos para insegurança é que não faltam.

Alguns casos narrados no livro estão disponíveis para leitura:

A culpa é do gerente

Rose Leonel

 

Rose Leonel

Em outros casos, tive que trocar informações como nomes e cidades para preservar a identidade dos envolvidos. Por causa da grande repercussão, obtive autorização da própria vítima para divulgar este caso na íntegra, o que considero de grande utilidade, pois pode alertar muitas pessoas do perigo e da repercussão assustadora que a internet proporciona.

Rose Leonel se casou pela primeira vez aos 23 anos e, com o primeiro marido, teve um filho. Anos depois se separou e acabou se casando novamente e dando à luz uma menina.

O segundo marido veio a falecer, deixando diversas dívidas. Um momento difícil, que um amigo em especial a ajudou a enfrentar. Esse amigo administrava um grande shopping da cidade de Maringá, onde Rose Morava. E com ele Rose acabou iniciando um namoro.

Ele se mostrou muito atencioso em um momento em que Rose precisava de apoio. E assim os dois criaram um forte elo de carinho e confiança. Com o passar dos anos, Rose percebeu que o namorado era bastante controlador. Um dia, ele sugeriu que os dois fotografassem e filmassem os momentos íntimos. Ela titubeou, mas depois de muita insistência, acabou aceitando. Afinal, vale tudo entre quatro paredes.

Algum tempo depois o relacionamento ficou insustentável. Ele se mostrou ainda mais controlador, começou a tratar mal os filhos dela, até que Rose resolveu colocar um ponto final na história. Aí veio o problema.

- Se você terminar comigo, eu acabo com a sua vida! Coloco todas aquelas fotos na internet! – ameaçou ele.

Ela não se intimidou e manteve sua decisão. E o agora ex-namorado cumpriu sua promessa. Dois meses depois, começou seu ataque. Pagou mil reais para que um técnico de informática montasse uma apresentação com as fotos, dividida em capítulos, passando a ideia de que ela era uma garota de programa. Juntos, ele e o técnico enviaram essa apresentação para um sem-número de pessoas. Ele usou todo o mailing do shopping e os contatos pessoais. As fotos começaram a se espalhar.

O ataque teve início na empresa em que Rose trabalhava. Todos os seus contatos profissionais, empresas de comunicação, órgãos de imprensa e parceiros de publicidade. Autoridades e pessoas relacionadas às suas atividades jornalísticas e sociais também foram alvo. De Maringá a difamação chegou até outros países.

Nesse período, seu telefone residencial, de trabalho e seu celular foram bombardeados por ligações de homens que queriam negociar programas, convites para fotos em revistas e até para participar de filmes pornográficos.

Seu celular e sua caixa de e-mails ficavam constantemente congestionados. Alguns contatos demonstravam solidariedade à relação de Rose, mas a grande maioria era de ligações com propostas indecentes, convites chulos e baixarias.

Cansada, ela decidiu mudar o número de seu telefone residencial e ficou um tempo sem celular. Mas isso não resolveu a situação; os novos telefones foram descobertos pelo ex, que acompanhava periodicamente as mudanças de telefone residencial e profissional da vítima.

Ainda não satisfeito, ele inseriu as fotos em diversos sites pornográficos, se passando por ela e se dizendo prostituta. Também adulterou e montou várias fotos retiradas de sites pornográficos. Rose, tentando desesperadamente fazer com que ele parasse, acionou o tribunal de pequenas causas. O ex negou a autoria do ato, mas aceitou um acordo de 3 mil reais para que tudo voltasse ao normal. Porém, depois desse acordo, a situação piorou. Ele inseriu fotomontagens em dezenas de outros sites e foi ainda mais ousado, fazendo montagens que sugeriam que Rose estava com dois homens e até com mulheres.

Ela foi fortemente discriminada, julgada pelas pessoas de sua cidade, sua vida virou um inferno.

Certo dia, ela recebeu uma ligação anônima dizendo que fotos dela estavam sendo distribuídas, impressas, nas lojas do comércio da cidade, por um menor de idade, com os números de telefone, anunciando que ela era garota de programa. O garoto também teria sido pago pelo ex-namorado.

Ela ficou totalmente desmoralizada. Em sua cidade, as pessoas acreditavam que a divulgação das fotos era de sua própria autoria. Ela foi acusada de inventar o caso para tentar se promover. Foi quando, em um ato de desespero, ela foi a um famoso programa de TV, buscando ajuda judicial, inconformada com o resultado do processo na instância das pequenas causas. Ela não conseguiu ninguém em Maringá que aceitasse dar continuidade à demanda, por ser uma área nova do direito ou mesmo por mera discriminação.

No programa, ela tentou esclarecer o caso, pediu que as pessoas parassem de ser maldosas. E o caso tomou proporções ainda maiores. O site da emissora teve 6 milhões de acessos e chegou a sair do ar.

Para termos uma ideia de como esse caso atrapalhou a vida de Rose:
- ela perdeu o emprego;
- ficou sem dinheiro algum;
- seus dois filhos tiveram muitos problemas, a ponto de terem de mudar de escolar várias vezes;
- pediram a ela educadamente que não frequentasse o seu salão de beleza habitual;
- teve diversos contratos cancelados, e em alguns estabelecimentos lhe pediram que se afastasse até que a situação se amenizasse;
- foi orientada a deixar de frequentar certos lugares.

Desvendando o caso

Foi durante a apresentação de um programa de TV que o caso chegou até mim. Um amigo me ligou, dizendo que Rose estava desamparada, precisando de um perito para esclarecer o caso, pois o então presidente da Comissão de Direito da Propriedade Imaterial da OAB-SP e advogado especialista em Direito Autoral e de Imagem, Dr. Paulo Oliver, e São Paulo, já havia aceitado pegar o caso dela.

Antes de começar o trabalho, Rose fez questão de que eu fosse com ela até o cartório assinar um termo. Ela estava tão machucada com a história que desconfiou que eu tivesse sido enviado pelo seu ex-noivo, para piorar ainda mais a situação.

A primeira coisa que fiz foi uma busca no Google. Com o nome dela, apareceram mais de 6 milhões de resultados! Primeiro analisei os mais ofensivos. Um blog que tinha sede na Alemanha divulgava sua foto acompanhada de textos grosseiros e maldosos. Entrei em contato com o gerenciador do blog, me identifiquei e eles me forneceram os IPs do autor.

Rastreando os IPs, chegamos a provedores situados na cidade de Maringá. Com um pedido judicial, pedi a quebra de sigilo desses IPs, os quais apontaram justamente para o shopping. Entrei em contato com o provedor que fornecia internet ao shopping, e eles me informaram que lá existiam muitas máquinas, e que seria impossível descobrir de onde haviam sido feitas as postagens. Com um pedido judicial, obtive a informação de que não possuíam registros de qual máquina havia acessado aquele site.

Pedi uma relação das máquinas que estavam ligadas no horário das postagens do blog. Recebi uma lista de 150 máquinas. Analisando a lista, localizei o nome da loja de importados que era de propriedade do suspeito. Com o pedido do advogado para o juiz, foi determinado um pedido de busca e apreensão dessas máquinas. Encontrei justamente a tela de edição do blog, o que comprovava que ele tinha a senha administrativa do blog.

Eu, como assistente técnico contratado por Rose Leonel, havia esclarecido o caso. Mas, como é de praxe, o juiz nomeou um perito oficial, que analisa de um ponto de vista totalmente imparcial, para confirmar a veracidade dos fatos. Ele confirmou o meu veredicto.

Em junho de 2010, a juíza substituta da 4ª Vara Criminal de Maringá, Mônica Fleith, condenou o empresário Eduardo Gonçalves da Silva a 1 ano, 11 meses e 22 dias de detenção e a pagar à Rose uma multa de R$ 1,2 mil por mês, por ter publicado na internet fotografias de momentos íntimos com a ex-namorada. O empresário recorreu da decisão.
Eduardo foi proibido pela Justiça de viajar, sair de casa à noite e frequentar lugares de reputação duvidosa. O corréu do caso, Edson Alexandre Domingues Moreno, técnico de computador, foi absolvido.

Em agosto de 2011, o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR) condenou Eduardo por injúria e difamação qualificadas. A decisão da 2ª Câmara Criminal manteve, em votação unânime, a sentença da 4ª Vara Criminal de Maringá. Silva foi condenado à pena de um ano, onze meses e vinte dias de detenção, que foi substituída por prestação de serviços comunitários e pagamento a Rose de R$ 1,2 mil ao mês pelo prazo correspondente ao detenção.

A juíza substituta em 2º grau, Lilian Romero, relatora do processo, entendeu que as provas apresentadas eram “fartas e robustas” para “demonstrar que o apelante foi o autor das postagens de textos e imagens”. Lilian afirmou que “o conteúdo dos textos (em que Rose era reportada como prostituta que se expunha para angariar programas e clientes, havendo inclusive veiculação do telefone pessoal dela e nome da empresa onde trabalhava, entre outros) e das imagens (fotos da apresentadora nua ou seminua) inquestionavelmente destruiu a sua reputação tanto no plano pessoal, profissional como familiar, além de lhe ter ofendido a dignidade e decoro”.

A magistrada destacou que Rose Leonel, em virtude dos fatos, perdeu o emprego e a guarda do filho mais velho. O empresário, na avaliação da juíza, divulgou o material, “de forma reiterada e continuada, com a clara intenção de arrasar com a reputação e atacar a dignidade, devassando a intimidade dela e atingindo inocentes, como os filhos dela”.

Para Rose Leonel, as perdas sofridas foram irreparáveis e hediondas. O crime de injúria e difamação qualificadas nunca ficará no passado porque a internet o manterá vivo para sempre. Não se tratou apenas de uma exposição, mas também uma agressão existencial que atingiu todos os seus familiares de forma direta, com infinitos desdobramentos, consequências intermináveis e sequelas imensuráveis. Assim que as primeiras imagens caíram na internet, a vida de Rose começou a ser aniquilada: perdeu o emprego, sofreu preconceito e decidiu que o melhor para o filho mais velho seria morar com o pai, fora do Brasil. Mesmo tendo sido banida pela sociedade, decidiu lutar pelos seus direitos, não só por uma causa única, mas por uma causa de todas as mulheres. Ela perdeu tudo, menos a fé. A data da condenação de Eduardo representa para ela o seu novo registro de nascimento.

“Em janeiro de 2006, eu tirei férias e viajei para Foz do Iguaçu. Lá, recebi ligações de amigos dizendo que estava acontecendo uma loucura em Maringá. Todo mundo estava recebendo e-mails com fotos minhas nuas. Foi aí que começou o meu martírio. Eu fiquei arrasada. Ele chegou a mandar as fotos para o e-mail do hotel onde eu estava hospedada. Ele foi sádico e cruel. Fazia capítulos das fotos e soltava as imagens aos poucos. Eu fui sendo torturada com esse sadismo. Como ele divulgava os meus telefones nos e-mails, homens me ligavam para marcar programas. Perdi o emprego, troquei de telefone várias vezes. O telefone não parava de tocar, era um inferno. Sofri um assassinato moral. Ele gravou CDs e distribuiu em prédios, imprimiu as fotos e entregou no comércio.

Meu filho chegou a falar: 'Mamãe, troca de nome'. Um dia, minha filha ligou e disse: 'Mãe, vem me buscar porque eu estou escondida no banheiro. As meninas descobriram as fotos na internet e estou com medo'. Os dois trocaram de colégio e o meu filho foi morar em Londres. O meu filho brigava todo dia na escola. Eu tinha que deixá-lo a um quarteirão do colégio, porque ele não queria que soubessem que eu era a mãe dele.

Sofri um assassinato moral, existencial, psicológico, profissional, de identidade e de exclusão social. Fui banida da sociedade, penalizada, julgada e condenada a ficar longe dela. No entanto, eu decidi ficar em Maringá e lutar pelos meus direitos, não só por uma causa minha, única, mas por uma causa de todas as mulheres. Eu não era a criminosa, e sim a vítima. Eu queria provar que jamais quis me expor. As pessoas não me viam como vítima, embora eu fosse. Existia um preconceito e em vez de elas se voltarem contra o agressor, se voltaram contra mim. É muito fácil dizer: ‘Nossa, como a pessoa foi boba, imprudente’. O que fui, foi ser uma mulher apaixonada. Qualquer mulher que vive uma relação estável tem que confiar no parceiro. Quando você tem uma relação amorosa é claro que existe entrega. Quando a pessoa vive uma situação dessas ela é passível de ser traída. E foi o que aconteceu comigo.
A condenação do Eduardo me libertou, representou um alívio moral. Não representou vitória só para mim, mas para as mulheres. Esse tipo de crime deve acontecer com várias mulheres e quando vem uma punição desta natureza beneficia a todas elas.

Isso se torna uma jurisprudência para outros casos, para que outras mulheres em situação semelhante possam se encorajar e esperar que a Justiça seja feita.”

Cronologia do caso
01/2006 - As fotos de Rose Leonel são divulgadas na internet.
02/2008 - Audiência é realizada no Juizado Especial Criminal.
05/2009 - Computadores do empresário são apreendidos e confirmam que ele foi o responsável pela divulgação.
06/2010 - Empresário é condenado em 1º instância.
08/2011 - Condenação é confirmada no TJ-PR.

 

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