E-net Security - Um mundo virtual mais seguro para voce
NOTÍCIAS RELACIONADAS  
Localização  |  Contato  |  Home ENGLISH | PORTUGUÊS
LIVROS DE WANDERSON CASTILHO
Mentira, um rosto de muitas faces (2009)
Editora Urbana
    

Em seu novo livro, Mentira, um rosto de muitas faces, Wanderson lança mão de sua expertise nos campos da perícia digital e análise comportamental para narrar como aplica a técnica de detecção de mentiras em seu trabalho de perito em segurança eletrônica. Faz isso usando como exemplo casos reais, o que dá à narrativa o sabor e até mesmo o suspense de uma boa história de detetives.

De quebra, o livro é uma preciosa introdução à técnica de detecção de mentiras, além de ferramenta valiosa a quem se preocupa com os riscos trazidos pela tecnologia do mundo contemporâneo.

Alguns casos narrados no livro estão disponíveis para leitura:

Um calote na Flórida

Escândalo na Universidade

 

Um calote na Flórida

Certa manhã, chego ao meu escritório e sou avisado de que há um homem bastante ansioso à minha espera. Como ele não havia marcado horário nem me procurara antes por telefone ou e-mail, percebi que estava diante de um problema urgente. Mas não imaginava quão delicado seria esse caso.

Felipe, seu nome, é empresário do ramo de arquitetura. Havia prestado serviços a investidores imobiliários brasileiros que atuam em Miami, na Flórida. Mas, chegada a hora de receber o que lhe era devido, percebeu que estava sendo enganado. Seu contato no Brasil, encarregado de pagá-lo, havia semanas que o estava enrolando. Finalmente, apareceu com uma solução: Felipe deveria ir à Miami, onde seria finalmente remunerado pelo trabalho que havia feito.

Seu voo para a Miami estava marcado para dali a uma semana. Mas Felipe, vendo que algo parecia estar muito errado, não queria ir só. Conversando com amigos sobre seu problema, recebeu uma indicação do meu nome, a partir de um caso que eu resolvera usando a técnica de detecção de mentiras. Assim, ele chegou a mim com a seguinte proposta: pagaria minha passagem, minhas despesas e meus honorários para que eu o ajudasse a identificar as intenções de seus devedores.

A construtora de Felipe ajudara a erguer alguns condomínios fechados, mas os pagamentos nunca vieram. Com a obra praticamente pronta, o empresário percebeu que estava prestes a ser passado para trás. Algumas pistas reforçavam essa impressão: outros fornecedores dos incorporadores passavam pelo mesmo problema. Tudo levava a crer que estávamos diante de um caso clássico de estelionato.

Aceitei acompanhar meu novo cliente à Miami, mas não tinha grandes esperanças de que fosse possível receber o dinheiro. Em casos como esse, é comum que o golpista já esteja com tudo pronto para fugir. Ou, mesmo que esteja cercado e vá ser apanhado, dificilmente terá caixa suficiente para saldar os compromissos com todos os credores.

Chegando à Miami, fomos em busca do homem que deveria pagar Felipe. Tudo que encontramos foi mais um sinal de que algo estava errado. Durante dois dias, não conseguimos localizar o homem em seu escritório nem em sua casa. O telefone não atendia. Meu cliente precisou ligar para seu contato no Brasil e perguntar o que estava acontecendo. Como é tradicional nesses casos, o homem tentou se mostrar surpreso e disse que seu sócio em Miami já estava avisado e nos receberia no dia seguinte.

Para mim, era claro que Felipe estava sendo enrolado. Mas, para minha surpresa, no dia seguinte Orlando, o homem a quem havíamos procurado por dois dias inteiros, estava em seu escritório. Entretanto, além de surpreso com nossa presença ali, ele nem sequer sabia o valor que devia a meu cliente. Ficava claro que o sócio dele, no Brasil, mentira a Felipe. E também a Orlando, que jamais fora avisado de que teria que receber – e pagar – o empresário que lhe prestara um serviço.

Apesar disso, Orlando tentou contornar a situação. "Quanto devo?", perguntou. Felipe lhe apresentou um detalhado balancete de tudo que havia feito e de quanto lhe era devido. Mal olhando para o papel, o homem retrucou, esfregando as mãos sobre as pernas: "Não se preocupem. Amanhã vamos acertar tudo isso". "A que horas?", perguntei. "Passem aqui à tarde. No fim da tarde", desconversou ele.

Saí daquela conversa com várias indicações de que Orlando tentava ganhar tempo e escapar. As mãos nas pernas, durante a conversa, revelavam seu nervosismo – elas estavam suadas, a tal ponto que deixaram as calças manchadas. A falta de um horário preciso para que retornássemos era outro indicativo de que ele não pretendia cumprir o que prometera.

Assim, não me surpreendeu, no dia seguinte, que Orlando dissesse não ter conseguido levantar o dinheiro necessário para pagar sua dívida. Mas ele propunha uma solução: iria transferir a soma para a conta da empresa de Felipe no Brasil. Ora, mas se era assim, para que havíamos viajado milhares de quilômetros até ali?, retruquei. Ficava cada vez mais claro que Orlando tentava ganhar tempo. Sua expressão facial revelava medo. Durante a conversa, seguidamente engolia em seco. Claramente, ele mentia, e provavelmente não tinha mesmo o dinheiro para saldar o compromisso.

Além disso, os cinco dias de prazo que a transferência internacional tomaria seriam fatais para nós. Nesse prazo, já não estaríamos mais na Flórida – Felipe havia marcado as passagens de volta para dali a dois dias, pois tinha negócios inadiáveis no Brasil e não estava disposto a perdê-los por um dinheiro que considerava cada vez mais perdido.

Já esperando que Orlando tentaria escapar dessa forma, eu havia sugerido a Felipe uma alternativa. Ele empregava um engenheiro, Jorge, que, além de velho amigo e homem de sua confiança, era um americano que tinha conta bancária naquele país. Combinamos com Jorge que pediríamos que o depósito fosse feito na conta dele, caso fosse essa a promessa do devedor. Assim, as 48 horas que ainda tínhamos em Miami seriam suficientes para saber se Felipe realmente seria pago.
Eu tentava encurralar meu interlocutor na mentira. De nada adiantaria brigarmos com Orlando, pois aí ele teria a desculpa ideal para não pagar. De alguma forma, minha estratégia foi bem-sucedida. Ante nossa contraproposta, ele se viu num beco sem saída. Assim, surgiu sua proposta final – ele tinha uma parcela do que era devido para pagar, imediatamente, em dinheiro, a Felipe. Mas o restante teria que ser pago via depósito bancário no Brasil, pois a filial africana da incorporadora passava por dificuldades e não teria como arcar com a dívida naquele momento.

Felipe aceitou a proposta. E fez o certo. A parte que recebeu, em dinheiro, não correspondia sequer à metade do que tinha a receber. Mas a técnica de detecção de mentiras me permitiu antecipar quais seriam os passos de Orlando. E, se não houvesse interpretado, logo de saída, seus movimentos, encurralando-o, Felipe teria voltado de Miami sem receber nada.

Como era de esperar, Felipe nunca recebeu o restante do dinheiro. Tempos depois, o sócio de Orlando fugiu do Brasil e deixou para trás dezenas de credores. Meu cliente, ao menos, conseguiu cobrar parte do que lhe era devido.

Desse caso, fica mais uma lição: apenas detectar a mentira de pouco adianta. É preciso interpretá-la, buscar entender as intenções de quem tenta nos enganar e com isso rever nossas decisões. E, para isso, a técnica é uma ferramenta preciosa, que nos permite perceber a mentira e, assim, buscar formas de desmascarar ou encurralar o mentiroso.

Ler outro conto | Voltar ao topo

Localização | Contatos | Home  
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS PARA E-NETSECURITY / POLÍTICA DE SEGURANÇA E-NETSECURITY / FALE CONOSCO 41 3014-3101
CONHEÇA BATI, CONCEITUADO INSTITUTO DE ANÁLISE COMPORTAMENTAL DOS EUA, ESPECIALISTA EM DETECTAÇÃO DE MENTIRA www.liedetection.com