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Tecnologia na investigação de Boston
UOL 25/04/2013

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Como mocinha e vilã, tecnologia teve destaque em investigação do atentado em Boston

A tecnologia ganhou papel de destaque nas investigações do atentado em Boston, para o bem e para o mal. O uso de softwares ultrassofisticados e de milhares de imagens captadas por câmeras de vigilância e de espectadores da maratona foi essencial para a rápida identificação dos suspeitos. Por outro lado, a mesma agilidade ajudou a disseminar informações falsas ou mal interpretadas sobre a investigação, que confundiram os espectadores da tragédia. 

Em 15 de abril, duas bombas foram detonadas próximas à chegada da Maratona de Boston, deixando três mortos e mais de 260 feridos. Três dias depois, o FBI --a polícia federal dos Estados Unidos-- identificou os dois suspeitos por uma imagem de vídeo captada por uma câmera de segurança de uma loja próxima ao local de explosão da segunda bomba. Eram os irmãos Talerman Tsarnaev, 26, e Dzhokhar Tsarnaev, 19, de origem tchetchena.

No dia 18, o mais velho foi morto pela polícia e, no dia seguinte, o mais novo foi preso após uma caçada cinematográfica.

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Segundo o perito Wanderson Castilho, especialista em crimes digitais e autor dos livros "Manual do Detetive Virtual" e "Mentira: um rosto de muitas faces" (Editora Matrix), o sucesso da operação foi alcançado graças ao uso da tecnologia de massa aliada a softwares capazes de detectar gêneros, objetos e cores em multidões de forma bastante refinada.

"Estes softwares agem como quebra cabeças digitais que podem fazer uma linha do tempo juntando as imagens pelo horário em que elas foram feitas ou no sentido da movimentação da pessoa", diz Castilho.

Depois de divulgar as fotos dos suspeitos, o FBI abriu um canal em seu site para receber imagens e vídeos relacionados ao momento das explosões. Com isso, conseguiram obter centenas de ângulos diferentes e identificar os passos dos suspeitos.

"A tecnologia nos ajuda consideravelmente, mas chegou a um ponto em que o FBI pediu para a população ajudar. Por isso, posso dizer que estamos com um avanço tecnológico muito bom, mas ainda não se faz o serviço sozinho", afirmou.

Provas eletrônicas

O ex-corredor Bob Leonard, 58, resolveu tirar fotos dos maratonistas que completavam a prova sem imaginar que registraria claramente os rostos dos suspeitos. Em entrevista ao "The Huffington Post", ele conta que depois de ver as imagens do FBI, descobriu ter clicado os rapazes. Ao enviar as imagens ao órgão federal, viu suas fotos rodarem o mundo no dia seguinte. "A foto deu a eles, finalmente, uma boa imagem facial dos suspeitos. Foi um bom avanço", disse Leonard.

Mas foi a imagem de Dzhokar registrada pela câmera de uma loja de conveniência de Cambridge (subúrbio de Boston) e o GPS de um carro roubado pelos irmãos que ajudaram a polícia a localizá-los em Watertown, cidade vizinha à Boston, na noite de quinta-feira (18).

Momentos antes, os investigadores receberam a notícia de que um policial do MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts), em Cambridge, havia sido morto depois de abordado por dois homens.

Jeffrey Bauman, uma das vítimas do atentado, ajudou a reconhecer o outro suspeito: Talerman. Enquanto aguardava a namorada ultrapassar a linha de chegada, ele o avistou deixando uma mochila preta no chão e indo embora. Bauman perdeu parte das duas pernas na explosão, mas conseguiu passar a informação aos investigadores, contou Edward Davis, da polícia de Boston, ao jornal "The Washington Post". 

Para a advogada Camilla Jimene, especialista em crimes digitais, as provas eletrônicas estão ganhando mais espaço nas investigações porque a tecnologia deixa marcas.

"Sem dúvida o que está no mundo virtual vai extravasar para o mundo real. O cidadão que sai hoje para o trabalho passou por mais de 50 câmeras de filmagem. Além disso, ele liga o computador, manda um SMS. A tecnologia deixa rastro de tudo e está se tornando uma ferramenta utilizada para benefício da sociedade", disse.

Combate ao terrorismo depende de terceiros

O uso de fotos e vídeos de terceiros é uma tendência que está crescendo entre as agências de inteligência no combate ao terrorismo, segundo o especialista em anti-terrorismo e combate ao crime organizado pela National Defense University (EUA), Marcus Reis.

Ele recorda que a polícia de Londres analisou centenas de horas de imagens captadas pelas câmeras de vigilância da cidade e pediu fotos a população para encontrar os suspeitos do atentado a um ônibus em julho de 2005, que deixou 52 mortos. Depois de cinco dias de buscas, quatro suspeitos foram identificados. 

"Como hoje todo mundo tem um celular que filma e grava, qualquer momento pode ser registrado e a polícia não pode mais ficar alheia a isso. Antes ela só recebia informações por meio de testemunhos na própria delegacia, mas agora pode ser mais ágil", disse Reis.

A internet, mais especificamente as redes sociais, também ajudaram os investigadores a encontrar informações sobre os irmãos. Em uma rede social russa, Dzhokhar dizia que o islã era sua "visão de mundo". Segundo os investigadores do atentado, os suspeitos teriam aprendido a fazer as bombas caseiras lendo uma revista da Al Qaeda pela internet.

No dia do atentado, Dzhokhar também tuitou sobre o ataque. "Não há amor no coração da cidade, gente, fiquem seguros", escreveu, em inglês.

O jornal "The New York Times" traçou um perfil do suspeito baseado em seus posts nas redes sociais. Dzhokhar  era fã de música pop, gostava de falar de garotas e dos momentos de diversão com os amigos.

Quando a tecnologia não ajuda

Apesar dos pontos positivos, a cooperação popular pode ser uma cilada quando mal empregada, alerta Castilho. Isso porque há muito material falso ou sem uma conexão real com os fatos que são despejados na internet e usados sem critério. O remédio para isso é checar cada detalhe.

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"Fazendo essa triagem, as coisas vão caindo por terra e não fazendo sentido. Mas tem pessoas que mesmo nestes momentos plantam informações falsas pelo prazer de confundir as autoridades", disse.

Um exemplo foi o fórum criado na rede social Reddit.com, onde pessoas enviaram fotos e vídeos da maratona a fim de encontrar suspeitos do atentado. Com o tópico "Encontre pessoas carregando mochilas pretas", internautas se tornaram 'detetives virtuais' sem medo de cometer injustiças. O fórum foi desativado depois de declarada a polêmica.

"O mal uso de informações acontece porque tudo o que está na internet é encarado como verdade", disse Jimene. Apontar suspeitos aleatoriamente em uma rede social pode render um processo ao difamador, mas a liberdade de expressão permite diferentes abordagens na internet, diz a advogada.

"[Esse contexto] configura liberdade de expressão, o que é bem mais subjetivo e difícil de julgar", afirmou.

Em casos em que se configura crime digital, ou seja, cometidos contra dados, informações ou sistemas de informação, a pessoa que se sentir lesada pode partir para um processo judicial.

Até mesmo a mídia caiu em ciladas da má apuração. A emissora de TV norte-americana "CNN" chegou a noticiar ao vivo a prisão do segundo suspeito na quarta-feira (17), mas depois precisou desmentir. A informação foi rapidamente espalhada pela internet, abrindo mais uma janela de discussão sobre o papel da tecnologia na divulgação de informações.

Veja o vídeo abaixo que mostra as gafes cometidas pela imprensa norte-americana na cobertura do atentado.

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