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Imagens perseguição traficante
Fantástico 05/05/2013

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Imagens mostram perseguição e caçada ao traficante Matemático

Perseguição durou menos de dois minutos num trecho de um quilômetro que virou uma praça de guerra. Depois, traficante foi encontrado morto.

 

O Fantástico mostra imagens gravadas há quase um ano, no fim da noite de 11 de maio de 2012. Policiais civis do Rio sobrevoam uma favela da Zona Oeste da cidade.

Estão à caça de Márcio José Sabino Pereira, conhecido como Matemático, um dos maiores traficantes do Rio, com ficha criminal extensa: 26 inquéritos por tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídios.

A Polícia Federal monitorava a quadrilha de Matemático havia cinco meses. Os agentes usavam a espionagem eletrônica - rastreadores e escutas telefônicas que permitiam saber a localização dos bandidos. Naquela noite, as informações foram repassadas à equipe da Polícia Civil, que estava a bordo do helicóptero.

 

A perseguição se estendeu por cerca de nove quarteirões. Durou menos de dois minutos. Um trecho de aproximadamente um quilômetro de extensão virou uma praça de guerra. Depois da caçada, o traficante foi encontrado morto.

As imagens do vídeo que você vai vê nesta reportagem foram gravadas pela câmera do helicóptero da Polícia Civil que fazia a operação. Ela tem um sensor que detecta o calor de corpos e objetos. Confira no vídeo os momentos mais importantes da perseguição. Segundo a polícia, o homem que, nas imagens, sai de uma casa é o traficante Matemático.

O Fantástico a um especialista em segurança digital pra checar se as imagens do vídeo obtido pelo Fantástico não sofreram algum tipo de manipulação. “A análise sequencial das imagens, da cronologia, da sintonia entre quem está narrando com a imagem mostrou-se ter um alto nível de autenticidade”, afirma Wanderson Castilho.

Veja a versão do comandante do helicóptero. “Apesar de a imagem ser feita a uma distância muito longa, e à noite, mesmo assim por conta do biotipo a gente tinha certeza que aquela pessoa que saiu da casa da mulher dele era o Matemático”, diz Adonis Lopes de Oliveira.

No vídeo obtido pelo Fantástico, a tripulação afirma que o homem se parece com o traficante.

- ‘Tá’ parecendo ele, hein?
- É isso aí. Parece mesmo.

Havia uma equipe da Polícia Militar em terra para prender o traficante? “O nosso objetivo naquele dia era monitorá-lo para que ele fosse interceptado pelo pessoal da PM”, revela Adonis. Nas imagens, não é possível ver nenhuma equipe por terra. “O blindado quebrou”, explica o comandante.

“O alvo está baleado aí. Pergunto pra você: cara, a equipe da Polícia Militar está com dificuldade de chegar aí, correto? Eles estão sem blindado", diz um policial no vídeo.

“Se o criminoso é tão importante, o suspeito é tão importante, a prisão dele deveria ser muito importante também, e só poderia ser feito com pessoal de terra. O helicóptero não tem como pousar em um local como esse”, ressalta o consultor de segurança pública José Vicente da Silva Filho.

Em nota, a Polícia Militar afirma que um grande efetivo foi mobilizado para a operação. Na entrada da favela da Coreia troca de tiros que atingiram os pneus do blindado. A nota diz ainda que, mesmo sem o apoio do veículo, os PMs entraram na comunidade sob fogo pesado e cumpriram o objetivo da operação, que era impedir a fuga de Matemático.

Especialistas ouvidos pelo Fantástico dizem que não se pode atirar de helicóptero durante a noite. “É questionável fazer uma operação dessa natureza à noite, né? Já começa uma complicação adicional”, afirma o consultor de segurança pública Diógenes Lucca.

“Eu discordo. Até porque as operações mais importantes que nós fizemos nos últimos tempos foram feitas à noite, através de equipamentos de visão noturna”, aponta o comandante Adonis. “A câmera, por conta da luminosidade, daquele lusco-fusco, não era escuridão total, a câmera era suficiente para fazer aquela operação”, completa.

“Os atiradores não estão usando equipamentos de visão noturna, estão utilizando da luz residual que existe no bairro para efetuar esses disparos. É um tiro muito arriscado”, explica o comentarista de segurança da TV Globo Rodrigo Pimentel.

“Da mesma forma que a gente treina o tiro diurno, a gente treina o tiro noturno”, diz Adonis.

“É um tiro sem qualidade, é um tiro sem compromisso”, destaca Lucca sobre as imagens do vídeo.

Antes dos tiros, o helicóptero está a uma altitude entre 900 e 1200 metros. Ele desce até uma altura entre 20 e 40 metros para a ação dos atiradores. “Exigiu aí também do piloto uma, um excesso de performance, de desempenho, até para poder fazer essa manobra, em uma condição, com certeza, em cima de casas aí habitadas, meio arriscado”, afirma Lucca.

“Quando nós chegamos perto do carro dele, nós fizemos inicialmente tiros de advertência. Logo em seguida, a gente começou a escutar muito tiro vindo em direção da aeronave. E aí a gente também revidou para proteger, inclusive fazer a proteção da aeronave”, diz o comandante.

“Em qualquer hipótese de um veículo estar atirando sobre o helicóptero, o helicóptero teria que fazer um recuo para segurança dos próprios tripulantes”, rebate José Vicente.


A aeronave foi atingida por algum disparo? “Ela foi atingida por dois disparos. Existe o laudo pericial que comprova isso, no cone de cauda. Foram tiros que não ofereceram riscos para aeronave, mas acertaram a aeronave”, responde Adonis.

O comandante da operação aponta no vídeo o que ele afirma serem tiros dados pelos bandidos. “Um dos tiros, que provavelmente vem do carro”, revela Adonis. Mas, durante a operação, as conversas dos policiais no helicóptero mostram que nem todos percebem isso.

- Tu acha que veio tiro do carro, cara?
- Cara, veio tiro.
- Tu acha que os caras deram tiro do carro?
- Passou, passou por aqui.
- Tinha uma arma pra fora. Dá pra ver na imagem.
- Nem vi.

Nas imagens, aparece um ponto aceso na altura da janela do carona do carro. Seria um fuzil? “Possivelmente. O fuzil não consegue ficar em pé dentro do carro, então ele coloca o fuzil pra fora do carro. Se o cano foi usado recentemente, o cano está quente. Então o visor térmico consegue localizar, sim, um fuzil dentro do carro. No entanto, esse fuzil pra fora do carro, nessa posição que ele está, não é uma ameaça à aeronave, não. Lembrando que, ainda que fosse uma ameaça à aeronave, nada iria justificar a quantidade de tiros disparados nesse bairro residencial”, afirma Rodrigo Pimentel.

- Pega, pega, pega.
- Pega.
- Pega, vai. Dá mais.
- Dá, dá, dá.

“O próprio diálogo da tripulação, você percebe que é um pessoal excitado, praticamente descontrolado, como foi a ação, no final das contas. É muita emoção, pouca razão”, aponta o consultor de segurança pública José Vicente da Silva Filho. “Bastante longe daquilo que se chama profissional. É uma caça”, completa Diógenes Lucca.

Assim que os tiros começam a ser disparados do helicóptero, a análise das imagens chama atenção para um clarão em cima de uma residência. “É o impacto dentro de uma casa”, conta Rodrigo Pimentel. Em seguida, o vídeo mostra uma pessoa em uma esquina, que poderia ter sido atingida. “Nem de dia você vai efetuar um disparo em uma área urbana, em um bairro densamente povoado, cheio de residência”, explica Rodrigo Pimentel.  Depois, mais uma casa é alvejada. Duas vezes. “Isso aqui é um tiro de cima para baixo. Tiro disparado, sim, do helicóptero da Polícia Civil”, diz Rodrigo Pimentel.

Depois, um prédio é atingido. Ele recebe uma chuva de tiros. No entender da polícia, isso não foi arriscado e não colocaria em risco a vida dos moradores. “Não. Não colocou em risco. Tanto é que não aconteceu. Os tiros foram suficientes para parar a agressão e proteger o helicóptero”, diz Adonis.

“O atirador do helicóptero, ele consegue perfurar uma parede de tijolo e ainda assim ser letal. Se tiver alguém dentro do quarto, ele acerta e mata”, ressalta Rodrigo Pimentel.

“Aquela rua era frequentada a maioria por traficantes, conhecemos bem aquilo ali, tanto é que não houve nenhum tipo de reclamação e não houve nenhum morador baleado naquele dia”, diz Adonis.

Um ano depois da morte do traficante, o Fantástico sobrevoou o local da operação. Encontramos as marcas dos tiros no mesmo prédio. Nas imagens gravadas durante a operação, enquanto o prédio está sendo atingido, aparecem três riscos sobre esta casa. Em mais de um momento da operação, os tripulantes conversam sobre os tiros que dizem ter recebido. E também no céu aparecem tiros.

“É um disparo de traçante, um tiro de fuzil 762, um projétil que ilumina, que é feito realmente para iluminar. Certamente, alguém atirando para cima, contra a aeronave”, destaca Rodrigo Pimentel.

- Outro tiro aí. E agora teve um estalo aí.
- Passou debaixo dois tiros de traçante.

“Apesar de o bandido ter atirado contra a aeronave, não justifica o emprego do disparo nesse momento, nessa quantidade. Não é razoável”, afirma Rodrigo Pimentel.

As imagens mostram várias motos e pelo menos mais um pedestre no percurso. “A gente não atirou nessas pessoas”, diz Adonis.

Uma moto parece cair depois de um tiro. Seguem-se mais tiros. Um carro perde o controle e bate em um muro. Um dos atiradores esbarra na câmera do helicóptero, que gira duas vezes. Cerca de cinco minutos, a equipe focaliza o carro. Há uma movimentação de pessoas, motos e outros veículos. Um homem parece mancar ao se afastar da cena. E finalmente um carro vai embora, seguido por motos e homens a pé.

- Tá correndo atrás desse carro aí.
- É fuzil na mão.
- É fuzil.
- Fuzil na mão. É vagabundagem.

As autoridades acreditam que Matemático foi resgatado por integrantes da quadrilha antes da chegada da polícia. O corpo do traficante foi abandonado cinco horas depois, durante uma troca de tiros com a PM, a três quilômetros do fim da perseguição.

Quando morreu, Matemático tinha 11 mandados de prisão. Estava foragido do sistema penitenciário. Em 2009, saiu para trabalhar em uma funerária e nunca mais voltou para a cadeia. Ele comandava o tráfico em quatro favelas da Zona Oeste do Rio, uma das áreas mais populosas da cidade.

O caso vai ser investigado pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio. “Os recursos da polícia civil, os recursos da secretaria de segurança, os investimentos em tecnologia não podem estar a serviço desse tipo de ação”, afirma Marcelo Freixo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj. 

Em nota, o secretário de segurança José Mariano Beltrame afirma que o setor especializado nessas ações tem que dar uma resposta à sociedade e quem teve a responsabilidade de agir tem que ter a responsabilidade de arcar com as consequências.

“Essa imagem nos leva a admitir a possibilidade de que tenha havido uma ação desproporcional. Exatamente por isso que a corregedoria há 15 dias já vem investigando essa ação como um todo”, afirma Martha Rocha, chefe de Polícia Civil do Rio.

O Fantástico pergunta se as imagens impressionaram Martha Rocha. “Não, mas não me agradaram. Eu acho que o papel da polícia é prender. A morte é em último caso”, responde. Segundo a chefe da Polícia Civil, nenhum morador foi ferido nessa operação.

“A gente entende que foi uma operação legítima, onde um traficante foi morto, um traficante perigoso. Ninguém foi baleado, nenhum morador foi baleado e o objetivo foi alcançado”, destaca Adonis. O Fantástico pergunta se o comandante não considera isso uma execução. “De jeito nenhum. De jeito nenhum”, responde.

“Se essa perseguição não fosse em uma comunidade carente do Rio de Janeiro, se essa perseguição fosse em um bairro residencial de classe média ou no centro da cidade, será que a polícia efetuaria essa quantidade de disparos? Certamente não. Essa é uma prática da polícia em comunidades carentes ainda dominadas pelo tráfico”, completa Rodrigo Pimentel.

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